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Mate a sua vaca!

Por Alda Marmo | Publicado em 02/05/2018 | Categorias: Alda Marmo

Já tinha ouvido essa história algumas vezes, mas ontem assistindo a Merlí, refleti sobre a história de outra maneira. A história é sobre a “vaca”. Resumindo: uma família pobre recebe a visita de um monge. O monge vê a situação precária que a família sobrevive e apenas sobrevive porque eles possuem uma vaca que lhes proporciona algum sustento. Todos dependem da vaca para se manter vivos. Vivem e agradecem o pouco que eles têm, o pouco que a vaca consegue lhes oferecer. O monge chama o chefe da família de lado e lhe diz: Mate a sua vaca, jogue-a penhasco abaixo. O chefe da família se assusta, se amedronta, fica inseguro, teme pela sobrevivência dos outros, mas obedece ao monge e joga a vaca penhasco abaixo. O tempo passa e um ano depois o monge retorna em visita. Ao aproximar-se da casa nota que muita coisa havia mudado. Havia um jardim, uma horta, a casa estava reformada. Os moradores aparecem bem vestidos para receber o monge. O chefe da casa se aproxima do monge e lhe agradece. Na verdade, depois da morte da vaca, aquela família teve que arrumar outros modos de sobreviver. Tiveram, que diante de uma NOVA circunstância se comportar de um modo diferente daquele que vinham fazendo. Novas habilidades surgiram. A vida daquelas pessoas melhorou muito. Segundo Merlí esse é um conto Taoísta que nos convida a refletir sobre a “vaca” que cada um de nós possui na vida.

Ainda segundo o Taoísmo, para se conseguir a liberdade é preciso arriscar-se. Se não assumirmos riscos, não conseguimos alcançar a liberdade. Para o Taoísmo uma escolha livre é aquela que coloca em risco a nossa existência.

A família visitada pelo monge, dependia da vaca para sobreviver e matar a vaca colocava em risco a existência de todos eles. Assim como naquela família, todos nós possuímos uma vaca. A vaca aqui representa aquilo que acreditamos que não podemos perder, algo que acreditamos ser dependentes. Cada um de nós acredita que se perdermos a nossa ‘vaca’, não sobreviveremos.

Que vaca é essa?

Seu trabalho? Seu parceiro(a), sua família, uma mentira, alguém especial, uma história triste, uma mágoa, uma crença?

Assim como aquele chefe de família, acredito que qualquer um de nós sente medo em ‘perder’ aquilo que acreditamos ser a nossa fonte de sobrevivência. Como viveremos sem a vaca? Mesmo magra, mesmo não nos oferecendo tudo o que precisamos ou queremos?

Sei o quanto é difícil pensar em se livrar do status quo em que cada um vive e arriscar-se em uma empreitada desconhecida sem garantias. Muitas pessoas escolhem diariamente continuar a sobreviver dentro do que é conhecido porém, insatisfatório.

Algumas chegam a agradecer, a se conformar e aceitar a vaca magra como se ela fosse a única maneira de continuar o caminho.

Felizmente, ou infelizmente não é. Mesmo após a morte da vaca nós continuaremos vivos, o que poderá mudar é o COMO continuaremos vivos e aqui dependerá do livre arbítrio de cada um. Poderemos viver lamentando a morte da vaca, deitados, chorando ou arregaçamos as mangas e nos reinventamos. Existe muita coisa desconhecida dentro de cada um de nós que por mantermos a vaca viva ainda desconhecemos. Somos cheios de possibilidades e forças ocultas. Manter a vaca viva não fará a fome passar. Qual é a sua VACA?

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