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Limites na adolescência – Uma escolha dos pais

Por Alda Marmo | Publicado em 15/04/2018 | Categorias: Alda Marmo, Coaching For Teens

Ando bastante assustada com o número de pais que estão procurando meus serviços para que os oriente sobre como ‘consertar’ algumas situações com seus filhos. Basicamente são 3 motivos que se combinam entre si e que são bastante preocupantes: limites, álcool e vídeo games.

Parece que o medo tem invadido o coração das mães e dos pais. Medo de perderem o amor de seus filhos e por isso se submetem aos desejos e imposições dos filhos.

Geralmente eu sou a 3ª. profissional que entra no time da recuperação. Primeiro vem a busca por um médico, psiquiatra ou neurologista, pois ‘esse comportamento’ pode ser uma doença, depois vem o neuropsicólogo com a aplicação dos testes para diagnosticar a doença ou o transtorno e por fim a orientação de pais.

É interessante como os pais, desejam que, um comportamento ou emoção sejam diagnosticados como “doença”. Uma doença, geralmente tira a responsabilidade da história de vida, afinal independente do que a gente faz, uma doença pode nos acometer. Uma vez diagnosticada, a doença se torna a principal responsável pelo comportamento da pessoa, praticamente um “ente” dentro do indivíduo. Não se trata mais da pessoa, mas sim da “ansiedade, da depressão, do déficit, do TDAH e assim por diante”. Claro que esses transtornos existem e devem ser levados muito a sério, pois realmente causam danos a vida de quem os tem, mas é preciso muito cuidado para não se deixar levar e nem tampouco deixar a cargo de medicações o tratamento.

É PRECISO SE COMPORTAR DE MANEIRA DIFERENTE, É PRECISO MUDAR HÁBITOS FAMILIARES, para que a condição disfuncional também mude.

Estou aqui falando sobre pais de adolescentes entre 13 e 17, 18 anos que me procuram pois não sabem mais o que fazer com seus filhos que “não querem ir mais para a escola, que dizem que vão se matar, que chegam bêbados em casa, que só comem o que bem entendem, que desrespeitam os pais, que dormem quando querem e que passam não horas, mas dias jogando vídeo games no computador”.

Eles querem, eles fazem as suas escolhas. Os pais permitem, liberam, oferecem autonomia e direito de escolha a quem não sabe ainda escrever o “o” com a bunda.

É preciso esclarecer alguns pontos.

Vivemos em sociedade e a primeira sociedade em que vivemos é a família. Não importa se a família é constituída de 2 pessoas o filho e seu cuidador, por exemplo. Dentro da família existem regras que devem ser respeitadas, assim como em qualquer sociedade mundo afora. Limites e consequências, existem desde tribos até sociedades bastante ‘civilizadas’. Comportamento de escolha também existe, mas acompanhado dele existem as consequências da escolha feita.

Assim vou dar aqui alguma opinião como mãe e profissional.

Primeiro é preciso deixar bastante claro a diferença entre punição e limites. Impor limites não é algo negativo, todos nós precisamos, independente da idade que temos. Limites servem para nos proteger. Quando estamos falando de indivíduos que estão em construção, podemos dizer que limites servem para ‘educar’, para ‘ensinar’. Como pais essa é nossa maior função, preparar indivíduos saudáveis e preparados para viver mundo afora com outros indivíduos em algum tempo futuro, mesmo que esse futuro seja amanhã. Os limites deveriam vir acompanhados, às vezes, de alguma explicação e acolhimento, fazendo com que o ser que está sendo “limitado” tenha algum entendimento da condição imposta.

Percebo que muitos pais até impõem alguns limites, no entanto, não sabem ou esquecem que não é a colocação da regra que faz com que ela seja seguida. Não é o aviso, a voz aumentada ou a ameaça que faz com que o indivíduo atenda a regra imposta, por mais incrível que pareça, são as CONSEQUÊNCIAS!

Consequência é aquilo que acontece depois que a regra foi ou não seguida. Se foi seguida, ótimo, ou o benefício se deu de maneira natural ou caso não tenha sido percebido entramos em ação para mostrar, para conscientizar a pessoa do benefício disso em sua vida. Caso não tenha sido seguida é preciso que algo aconteça, que a pessoa seja responsabilizada pela escolha que fez. Ouvi outro dia no consultório que o pai de um menino que chegou bêbado em casa, responsabilizou os amigos dele pela condição do filho. O filho se tornou uma vítima, se safou. Quem ouviu os desaforos, a bronca foram os amigos dele que faziam parte do grupo do whatsapp. Minha gente, que educação é essa? O que esse pai ensinou ao filho?

Limites e consequências são parte muito séria da educação, falar não e responsabilizar nossos filhos pelas escolhas que eles fazem é uma das partes principais do processo de educação, é o que os ajuda a torná-los indivíduos conscientes, autônomos, capazes de tomarem decisões mais sensatas no futuro e principalmente de administrarem emoções difíceis.

Falar “não”, não é punição e nem tampouco causa danos emocionais irreversíveis ou traumas. Se falar não produz frustração, tudo bem, é normal, ensine seu filho a lidar com isso.

Assim, limites, regras, escolhas e consequências deveriam fazer parte do dia a dia de qualquer família, de qualquer pai e mãe que quer formar um indivíduo saudável. É interessante que também já recebi muitos jovens adultos que se sentiram negligenciados e abandonados pelos pais “que não ligavam para o que eles faziam”, ou seja, não haviam consequências nem positivas nem negativas para o que eles faziam e isso muitas vezes é visto e sentido mais tarde como descuidado.

Sei muito bem o quanto de problemas temos que resolver na vida, muitos deles nada tem a ver com educar filhos ou com a família, mas com essa justificativa, muitas vezes os pais ‘cedem’ ou fecham os olhos para comportamentos disfuncionais que acontecem com seus filhos, com o intuito de “ficar bem” de “não estressar” deixam muita coisa passar, sem consequências (que sim, dão trabalho aplicar!). No entanto a conta em algum momento deverá ser paga e o preço é alto. A curto prazo, deixar o filho horas jogando pode ser um sossego e tanto, mas a médio e longo prazo isso pode custar caro. Bem caro.

Assim funciona também com bebida. Hoje existem bebidas muito baratas, Ascov, Corote, os Beats da vida, muitos bebem, muitos bebem muito. Simplesmente não pode, álcool é uma droga lícita. Álcool ingerido durante o desenvolvimento do organismo é muito prejudicial. Não pode e ponto e esse é o limite.

Queridos pais, fiquem atentos aos seus filhos, mas principalmente a vocês, pai e mãe devem se tornar uma equipe, juntos devem jogar a favor de seus filhos, mas não esqueçam de olhar para o comportamento de vocês também. Nenhum de nós está livre das escolhas que tomamos e de suas consequências.

Um abraço.

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