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Adolescência – a realidade em jogo

Por Alda Marmo | Publicado em 12/06/2018 | Categorias: Alda Marmo, Coaching For Teens

A realidade em jogo – Texto 1

“Há cerca de 2000 anos, Heródoto olhou para trás e avaliou que os primeiros jogos dos gregos eram uma tentativa explícita de aliviar o sofrimento…”
Jane McGonigal

Heródoto – Grécia Antiga

 

Essa história de “no meu tempo” já não cabe mais. Quando eu fui adolescente, lá nos meados de 1997/98 era diferente. Me lembro da 1ª. palestra que assisti sobre internet e isso já era pra lá de 1992 e eu já estava na faculdade. Meus filhos nasceram na virada do milênio, nasceram no mundo www, no ponto com. O ambiente, o contexto que nossos filhos nasceram são tão fortes quanto um gen de seus DNAs. Não dá para comparar e nem tampouco querer impor as mesmas regras. Temos que buscar entender o mundo, as necessidades e os deveres dessa geração.
Estou certa que muitos de nossos pais também passaram pelas novidades da nossa época. Minha mãe não me deixou ir ao Rock in Rio e me enchia o saco quando eu ficava horas assistindo MTV. Lembro que eu e minhas amigas assistimos Cristiane F. escondidas no vídeo cassete que uma delas tinha em casa. Já mais tarde, quase no final da adolescência ainda tinha a AIDS e poucos pais conseguiam falar sobre sexo com seus filhos.

(quem tiver mais interesse sobre a diferença entre as gerações, assista We all to be Young – BOX 1824) O vídeo está publicado no post anterior

clique aqui para ir direto para o vídeo: http://aldamarmo.com.br/video-que-todos-os-pais-e-filhos-deveriam-assistir/

Nosso comportamento acompanha o tempo que vivemos e nossos filhos nasceram imersos no mundo digital. No entanto, o mundo digital é uma parte do mundo e não ele todo, ainda (sim, provavelmente estamos caminhando para terrenos desconhecidos, mas ainda não chegamos lá). O mundo digital faz parte da realidade que vivemos e nessa realidade ainda é preciso interagir com pessoas, dar abraços, olhar nos olhos, comer comida, pagar impostos, ir ao banco, fazer consultas no consultório médico, pegar aviões para ir de um país ao outro, enfim em pleno ano de 2018 ainda existe um pedaço da vida parecido com “antigamente”.
Assim, nós como pais e educadores dos futuros adultos desse mundo temos que administrar bem as nossas condutas, os nossos impulsos, as nossas ideias e emoções para conduzir da melhor forma que podemos o desenvolvimento desses “indivíduos”. Estamos em novos terrenos e também não sabemos ao certo o que vai dar ou não certo, mas hoje já sabemos o que vêm dando errado neste jogo da vida.

 

Vou listar aqui 5 pontos que vem produzindo resultados bem ruins nesta geração e levando muitas famílias perderem o jogo e indo direto para consultórios de psicologia, psiquiatria e neuropediatria.
1. O equilíbrio entre autonomia x liberdade x responsabilidade.
Damos pouca ou nenhuma responsabilidade e muita autonomia e liberdade. Se pode sair para a balada, pode aprender a fazer depósito no banco. Se pode escolher a própria roupa e acessórios pode fazer supermercado, se sabe jogar vídeo game tem competência para aprender a apertar os botões da máquina de lavar e diferenciar roupa branca de colorida.
2. Produzimos benefícios de graça e não oneramos o mal comportamento
Independente do que os filhos façam ou não façam eles ganham as coisas

3. Discursos vazios e dessincronizados
“No meu tempo”, “na minha casa”, não cabem mais pois eles não fazem a mínima ideia de como foi viver da maneira como vivemos, nem nós mesmos lembramos mais como vivemos sem celulares. Sermões e broncas geralmente não fazem sentido… “Eu te dou de tudo, trabalho feito um louco e você não dá valor”, sim valor é uma coisa aprendida e não cobrada, nossos filhos não vêem o que nós vemos, eles vêem o que nós mostramos para eles. E mostramos que independente do que eles façam eles adquiriram direitos sobre nossos salários suados e também sobre nossos serviços de concierge, lavanderia, copa e personal organizer.

4. Pai bonzinho/mãe malvada ou vice-versa
Criar filhos é como estar em uma sociedade, pai e mãe tem obrigações parecidas. A bronca não pode vir sempre de um só nem tampouco o afago. Temos que respeitar nossa individualidade e perfil, mas ambos devem por a mão na massa. Não é porque um trabalha e outro fica em casa que um deve/pode ser poupado da rotina do filho. Assim como o lazer com os filhos deve fazer parte da agenda de ambos.

5. Abrir mão da sua vida para ser mãe/pai 120% do tempo
Mais do que ter uma atividade, seja profissional ou não, é importante que você tenha uma atividade que diga respeito só a você. Além do seu desenvolvimento pessoal isso tem a ver com a saúde da sua família. A dedicação integral tem tempo de validade, com o crescimento dos filhos é importante que eles respeitem as atividades de seus pais. A atividade serve também para que você não esteja 100% do tempo a disposição. Já que está em casa o que que custa arrumar a bagunça do quarto, recolher a louça largada pela casa, fazer pratos a lá carte para o jantar, não é mesmo?

É preciso refletir um pouco sobre o nosso comportamento para só depois então cobrar dos filhos uma atitude. É PRECISO DEIXAR CLARA AS REGRAS DO JOGO! Nossos filhos estão imersos no mundo digital mas muitas vezes nós mesmos não os chamamos para que participem da vida real. Uma vida saudável com os filhos compreende erros, acertos, frustração, regras claras, diálogos que fazem sentido, diversão, respeito, arroz, feijão, mistura e alguns legumes. É importante sobretudo termos a consciência de que estamos e devemos criar filhos para serem independentes (em um mundo que não sabemos como será) e para viver em sociedade, respeitando o outro, inclusive pai e mãe.
Os consultórios estão cheios famílias que desenvolveram relações produziram filhos inadequados e todos, principalmente, os filhos sofrem e muito e essa é a realidade que está em jogo.
Esse foi o texto 1 o assunto continua…

O TED da Jane McGonigal você pode assistir aqui: https://www.youtube.com/watch?v=HSa3eqNEFmE

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